Azulejista

Protótipos/Prototypes

PROTOTYPES/PROTÓTIPOS, work in progress…

Cristina Ribas. Colagem feita para Trieste, Italia.

16/01/2010

O que você vê? Que relação você estabelece com estas imagens? Qual a procedência das imagens? Como escolhe as imagens? Como chegou a estas imagens? Desde quando um interesse por lugares destruídos preenche seu olhar? De que forma estas imagens lhe afetam?

Muitas perguntas e muitos pressupostos atravessam e constituem esse trabalho.

Agora se passaram meses, e tenho mais claro que poderia segui-lo por um tempo indeterminado.

Se antes uma percepção de tempo limitado constringia a criação, agora tenho a compreensão que muito tempo futuro é necessário para receber e insistir o que foi criado e tudo mais que pode vir. Criado não por mim, mas pelas possibilidades dos encontros. Encontros de futuro.

Pressupostos traziam as regras, antes difusas e depois determinadas a criarem um processo em aberto do qual se mantém umas linhas comuns a seguir. As linhas dadas aos participantes do futuro são passadas não por listas precisas, mas por um texto emotivo feito como carta de convite [abaixo]. As regras de linhas abertas convidam a trocar impressões sobre imagens. Convidam a sentar e cortar, quebrar a homogeneidade plana da imagem e perfurar a verticalidade com corte sobre as quebras, os pedaços, os tijolos, as madeiras, os escombros. O corte da tesoura abre uma brecha como espaço novo. Primeiro a pequena imagem feita fragmento cai num vazio sem contexto, e quase como quebra-cabeça sem previsão de encontro, vai desdenhando um futuro perto e perto de outros recortes.

Quando uma nova conversa começa, também uma abertura de um universo de palavras. Isso pode ser natural, visto que o arranjo de pessoas ao redor das imagens é novo, e eu tento manter um mistério em minhas frases de introdução sem definir sob que seleção aquelas imagens foram agrupadas, tentando respeitar a inédita série de termos a emergir. O que pode surgir é exatamente esta relação especial com uma combinação de fotografias. Tomo anotações delicadamente, como quem reporta sem obrigação de fidelidade, mas com um acordo sutil estabelecido na conversa. Um momento sempre difícil é decidir quando se parte da introdução do encontro para de fato o início da colagem. Conversando com Gabriel  Menotti ele sugeriu que antes de mostrar as imagens, eu mostrasse as ferramentas de uso: tesoura, cola branca, fita dupla face, a estimular o exercício da montagem antes mesmo de conhecer as imagens .

Dos fragmentos começa a surgir um composto de imagens. O que será a próxima colagem? Que fotografias escolhe? Que sobras de recorte?

(…) a colagem que o participante faz (…)

18/12/2009

John Cunnigham


18/12/2009

Cristina Ribas. Colagem feita no encontro com Gabriel Menotti. BFI, Southbank.

Gabriel Menotti

9/12/2009

Cristina Ribas. Colagem feita no encontro com Jose Carlos Caldeira.

José Carlos Caldeira

We met in a café in Grays Inn Road. Wednesday morning! 2 Croissants and 2 Caffe Latte. Talking about photography and surrealism, the ‘dismiss’ of non-places; comments on  some impossibilities, as how to apply european theories to our places of origin;  the investigation of where about the though moves when needs to find other interlocutors; similarities between cities like São Paulo and Londres, e/or chaotic differences within Rio de Janeiro; desrespect and self-censorship when dealing with an image …  and more.

Zeca brought a photography he made close to Old Street. The ‘result’ (shown above) mixes up  images from Cecile (Bosnia) and mine (Hackney).

Cristina Ribas

*

Cristina Ribas. Collage made in the conversation-site at 56a, thursday 19th of November.

Cecile Janvier

Cecile Janvier

Nicole Verplant

Jaime Vindel

Cristina Ribas. Made in Amsterdam.

**

{the english version is being reviewed]

**

Protótipos. portuguese version

Decidi voltar para fotografias que realizei quase dez anos atrás. O desafio de olhar para elas não é tanto olhar para um passado, mas sentar-se para um momento e investigar como garimpo o que mais há para olhar. Algumas vezes quando as imagens caem nos arquivos parece que cumpriram sua função de morar no presente. E então essa remoção à tona de algo que poderia estar finito de significados pode ser uma força de inversão, extemporânea imagem… As imagens que recentemente se recupera talvez não perteçam a um tempo anterior, tampouco a um tempo futuro. Apresentam lugares em processo de abandono ou destruição estratégica. Porém as imagens são insuficientes em informar o território ao redor. Eu tenho lembranças, mesmo geográficas, dessas locações.  Detritos.

Com minha viagem e a bolsa de residência/pesquisa, não por acaso a paisagem da cidade de Londres me faz insistir novamente nestas imagens. Aqui “construction site” e “destruction site” são muito próximos, articulam-se. E talvez também em outras cidades da Europa, por razões mais ou menos reincidentes e tangentes às de Londres.  Em algumas situações a destruição que se contempla ocorre para liberar espaço dentro de cidades estratificadas em uma série ininterrupta de sobreposições de ocupação. Nas cidades contemporâneas os centros se tornam pontos de convergência para fazer crescer novos prédios conectados com a abstração do capital internacional. Essas forças imprimem guindastes nas paisagens.

Então de meu estrangeirismo, preciso olhar as imagens e contextualizá-las. Desvelar os tempos sobrepostos.  Mas isso não se pode fazer sozinha. Há uma habitação coletiva que modela essa terra. Dar conta de extirpar uma história que não acompanhei por meu pertencimento longinquio a outras terra seria como carregar ou inundar-se em um bloco pesado de cimento. Impossível, e tampouco desnecessário. Se observo uma paisagem reincidente, me interessa saber como ela habita interstícios de lembrança, como ela reanima sensibilidades e histórias pessoais.

Nos arquivos de Londres estou garimpando imagens de sítios destruídos. E repentinametne me encontrei diante de imagens de escavações arqueológicas. Elas não são parecidas, de alguma forma aos sítios destruídos por demolições sumárias?  E as imagens das guerras? Bombardeios.

Pergunto-me então o que faz com que reproduzamos continuamente esta paisagem no imaginário comum? De que forma estas  imagens nos afetam, mesmo que sejam ordinárias e dessemelhantes em correspondência direta a nosso imaginário?

[the pics from amdam where really heavy so they are not here anymore, i’m wonrking on them and soon they will be back with scans of the real collages, that Daniele posted for me from there…..]

Amsterdam, Mediamatic

Caixa

“Protótipo” é o projeto que estou realizando *e que pretendo levar para Amsterdam. Uma pequena caixa contém fotografias e material de corte e colagem. Dois enunciados  “construction site” e “destruction site”  e uma terceira que as articula num movimento constante: “let’s be lovers”. A partir da caixinha de imagens criam-se situações efêmeras de conversa, desenho e colagem para fazer pensar e experimentar de que forma nos relacionamos com estas paisagens e, talvez, de que forma representamos este imaginário. Os desenhos e colagens criados pelos participantes podem ser doados para a caixinha de imagens, que pode ser tomada como um pequeno arquivo desses “protótipos”. Participantes podem ainda contribuir com imagens de sítios destruídos. E costurar cristais e missangas, flores e estrelas.

*Links

Opening
http://www.mediamatic.net/page/126288/en
Interview with Daniele Marx
http://www.mediamatic.net/page/126895/en

2 Respostas

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  1. Astridji said, on dezembro 10, 2009 at 1:30 pm

    Nossa! É muito interessante seu projeto!!! Entendi muito melhor em Português.
    Na verdade, quando fala de destruições, seria bom se você desse um exemplo de uma destruição.
    Você fala da construção de prédios do grande capital, seria isso um exemplo de uma destruição?
    Muita energia boa e muito animador o projeto!
    Se descreceria com exemplos talvez pessoas poderiam colocar exemplos de “construction site” e “destruction site” em suas cidades tb. Ou não entendi bem a ideia?
    Um beijo
    Astrid

  2. azulejista said, on dezembro 11, 2009 at 2:59 pm

    Oi Astridji! então, em parte eu gostaria de deixar em aberto o que podem ser construction sites e desctruction sites, … você pode mandar uma imagem se quiser, ou esperar que chego em Berlim em janeiro e nos encontramos!
    beijos, Cris


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